PF investiga Adilsinho e encontra lista com pelo menos 25 políticos que teriam recebido mesadas
A Polícia Federal (PF) encontrou listas com nomes de políticos durante as investigações que deram origem à 5ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada nesta quinta-feira (3).
A apuração, iniciada em 2021, tem como principal alvo o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, apontado pelas autoridades como um dos líderes da chamada Máfia do Cigarro no Rio de Janeiro.
Atualmente preso desde fevereiro, Adilsinho voltou a ser alvo de um mandado de prisão nesta nova etapa da operação. Segundo a PF, o contraventor conseguiu escapar de pelo menos duas ofensivas anteriores.
Planilhas levantaram suspeitas da PF
Durante a Operação Smoke Free, realizada em novembro de 2022, os agentes cumpriram mandados em endereços ligados a Adilsinho. Em um dos imóveis, os investigadores encontraram uma mala de couro na cabeceira da cama do contraventor. Dentro dela, estavam planilhas com nomes de ao menos 25 agentes políticos.
De acordo com a Polícia Federal, os documentos apresentam registros de supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e movimentações contábeis relacionadas a um possível esquema de lavagem de dinheiro.
Além disso, a corporação informou que as planilhas chamaram a atenção por indicarem possíveis repasses diretos de recursos a agentes políticos do Estado do Rio de Janeiro.
Até o momento, a PF ainda não identificou oficialmente todos os nomes citados nos documentos. Mesmo assim, informou que essas pessoas são investigadas por suspeita de receber pagamentos do contraventor.
Nesse contexto, o blog do jornalista Octavio Guedes, do g1, apurou que o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), aparece em uma das listas apreendidas.
Operação também mira outros investigados
Além de Adilsinho, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou a prisão do ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que já estava detido, e do pastor e empresário Márcio Poncio, investigado por supostas ligações com a Máfia do Cigarro.
Enquanto isso, Poncio foi preso em sua residência, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Já Bacellar foi levado para a Superintendência da Polícia Federal e, posteriormente, deverá ser transferido de Bangu 8 para um presídio federal.
Além das prisões, Moraes autorizou o bloqueio de bens e valores de até R$ 22 milhões dos investigados.
Segundo a PF, a operação faz parte das determinações do STF no julgamento da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas. A decisão determinou que a corporação aprofundasse as investigações sobre organizações criminosas que atuam no estado e suas possíveis conexões com agentes públicos.
Defesas contestam acusações
Por sua vez, a defesa de Adilsinho negou qualquer pagamento irregular a políticos ou agentes públicos. Em nota, os advogados afirmaram confiar no devido processo legal e na atuação do Poder Judiciário.
Já o advogado de Márcio Poncio informou que ainda não teve acesso aos autos da investigação. Dessa forma, afirmou que, até o momento, desconhece os fundamentos que levaram à decretação da prisão preventiva do empresário.
Fonte: BpMoney