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Após atacar políticos que “mandavam no Dnit”, Pivetta coloca no núcleo da campanha Pagot, ex-diretor do órgão nos governos Lula e Dilma

Publicado em 24/07/2026 12:53
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Após atacar políticos que “mandavam no Dnit”, Pivetta coloca no núcleo da campanha Pagot, ex-diretor do órgão nos governos Lula e Dilma
Imagem: Reprodução
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O governador Otaviano Pivetta, do Republicanos, colocou no núcleo de sua campanha um antigo dirigente do órgão que ele próprio transformou em alvo de duras acusações políticas.

Luiz Antônio Pagot, ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, passou a integrar o grupo responsável pela construção do projeto eleitoral de Pivetta. Ligado historicamente ao ex-governador Blairo Maggi, ele deverá colaborar com a articulação política, a estratégia da campanha e a formação de alianças para a disputa pelo Palácio Paiaguás.

A escolha ocorre depois de Pivetta associar o Dnit à corrupção e responsabilizar políticos que exerciam influência sobre a autarquia pela demora de obras rodoviárias em Mato Grosso.

Durante evento realizado em março, em Rondonópolis, Pivetta afirmou que políticos da região que “mandavam no Dnit” teriam usado o departamento para “roubar o povo mato-grossense”. O então vice-governador não citou nomes no discurso. As declarações são acusações políticas feitas por ele e não conclusões desta reportagem. 

Posteriormente, o grupo governista passou a direcionar as cobranças sobre o histórico do órgão a um adversário político, atribuindo a ele influência sobre o departamento e responsabilidade por obras que não avançaram no estado.

Pagot, porém, não teve apenas uma influência atribuída por adversários. Ele comandou oficialmente o Dnit.

Sua indicação foi aprovada pelo Senado Federal em outubro de 2007, ainda no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A nomeação foi publicada no Diário Oficial da União em 4 de outubro daquele ano. Pagot permaneceu no posto durante os primeiros meses do governo Dilma Rousseff, até deixar o departamento em 2011. 

A saída ocorreu durante a crise que atingiu o Ministério dos Transportes após denúncias de corrupção em órgãos ligados à pasta. O episódio provocou a queda de Pagot, de outros dirigentes do Dnit e do então ministro Alfredo Nascimento. Em depoimento no Congresso, Pagot negou superfaturamento, recebimento de propina e a existência de um esquema dentro da autarquia. 

A escolha também cria um contraste com o discurso ideológico de Pivetta. O governador se apresenta como integrante da centro-direita, afirma nunca ter votado no PT e já rejeitou alianças com partidos ou lideranças identificadas com a esquerda. 

Em depoimento à CPMI do Cachoeira, em 2012, Pagot admitiu ter agido com “falta de ética” ao procurar empresas para solicitar doações à campanha de Dilma Rousseff. Segundo ele, a iniciativa foi acertada após conversas com o então tesoureiro da campanha, José de Filippi, do PT. 

Pagot afirmou ter procurado entre 30 e 40 empresas e estimou que as contribuições poderiam ter alcançado cerca de R$ 6 milhões. Ele sustentou, entretanto, que as doações estavam dentro da legislação eleitoral e negou qualquer troca de contratos, benefícios ou vantagens entre o Dnit e as empresas procuradas. 

O histórico do ex-diretor ganhou novo capítulo em outubro de 2025, quando a 2ª Vara Federal Cível e Criminal de Ji-Paraná, em Rondônia, o condenou, em primeira instância, por atos de improbidade administrativa relacionados à pavimentação da BR-429.

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O caso envolve os contratos nº 674/2009 e nº 675/2009, firmados entre o Dnit e a Fundação Ricardo Franco no período em que Pagot comandava o órgão. Edival Ponciano de Carvalho, então presidente da fundação, também foi condenado.

Segundo a Justiça Federal, a sentença apontou dispensa indevida de licitação, contratação apesar de parecer jurídico contrário, pagamentos sem comprovação adequada, terceirização do objeto e participação da mesma entidade na elaboração do projeto básico e na execução dos serviços.

O prejuízo estimado ultrapassa R$ 15 milhões. O valor corresponde ao dano calculado na decisão e não significa que Pagot tenha recebido ou se apropriado pessoalmente da quantia. A condenação foi proferida em primeira instância e não deve ser apresentada como definitiva.

As obras da BR-429 também foram analisadas pelo Tribunal de Contas da União no processo TC 005.736/2011-0, no qual Pagot aparece entre os responsáveis relacionados à auditoria. No Acórdão nº 1.803/2023, o TCU determinou que o Dnit adotasse medidas para apurar e buscar a reparação de possíveis prejuízos. A decisão do tribunal de contas não corresponde a uma nova condenação pessoal de Pagot. 

Quando o Dnit aparece ligado a um adversário, o governador fala em corrupção, omissão e obras que não saíram do papel. Quando escolhe a própria equipe, entrega espaço estratégico a quem dirigiu oficialmente o mesmo órgão, permaneceu no posto durante o governo Dilma e carrega uma condenação de primeira instância relacionada àquela gestão.

O contraste também alcança o discurso contra o PT e a esquerda. Pivetta usa antigas relações políticas de adversários como argumento eleitoral, mas incorpora ao próprio núcleo um ex-dirigente dos governos petistas que admitiu ter procurado empresas para arrecadar recursos para a campanha de Dilma.

A experiência de Pagot ajuda a explicar a escolha. Ele foi secretário de Infraestrutura, chefe da Casa Civil e secretário de Educação nos governos de Blairo Maggi, além de atuar há décadas na articulação política e no diálogo com setores empresariais de Mato Grosso.

O que Pivetta precisa esclarecer é qual critério utiliza para avaliar esse passado.

Se o comando ou a influência sobre o Dnit representam motivo para cobrar adversários, a atuação de quem dirigiu formalmente o departamento também precisa ser considerada. Se a proximidade com o PT e com o governo Dilma pesa contra quem está do outro lado, é legítimo perguntar por que não pesou na escolha de Pagot.

Até o fechamento desta reportagem, a campanha não havia detalhado publicamente o alcance das atribuições do novo articulador nem explicado como o histórico administrativo e judicial de Pagot foi considerado antes de sua entrada no grupo.

O espaço permanece aberto para que Luiz Antônio Pagot e a equipe de Otaviano Pivetta apresentem suas manifestações.

Fonte: Deixa Que Eu Te Conto

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